O mercado da construção no mundo e no Brasil

O mercado da construção no mundo e no Brasil
07/03/2018

Em fevereiro de 2017, o McKinsey Global Institute e a McKinsey Capital Projects & Infrastructure Practice publicaram o relatório “Reinventing Construction: a Route to Higher Productivity“, que gerou um impacto negativo enorme para a construção, um dos maiores setores da economia que emprega cerca de 7% da população mundial e gasta, anualmente, US$ 10 trilhões em bens e serviços. O setor possui um sério problema de produtividade, posicionando-se na rabeira dentre os demais, puxando para baixo a produtividade global.

 

No mundo, o crescimento da produtividade da mão-de-obra na construção foi de apenas 1% ao ano nas duas últimas décadas, em comparação com o crescimento de 2,8% da economia mundial e de 3,6% nos demais setores industriais.

 

Desde 1945, nos Estados Unidos, a produtividade nos setores de manufatura, varejo e agricultura cresceu cerca de 1.500%. Por outro lado, de lá para cá – e estamos falando de um país desenvolvido – a produtividade na construção pouco aumentou. Se por um lado isso representa uma grande oportunidade, por outro tem custado caro para a economia mundial.

 

No Brasil, o cenário não é diferente, embora precisemos de mais estudos para situar a produtividade da construção em relação aos demais setores industriais. Apesar da minha experiência com a industrialização da construção, fast construction, pré-construção e uso de ferramentas como o Lean Construction e Engenharia Simultânea, brinco seriamente que somos “um grande artesanato construtivo”, o que gera um grande incômodo e uma sensação de “orgulho reverso”.

 

A análise das causas da baixa produtividade, aponta caminhos para melhorar este quadro: produção em escala, padronização, foco em processos, pré-fabricação e modularização. Investir na capacitação profissional, em logística, em BI (Business Inteligence) para a gestão de projetos à distância e intensificar o emprego do BIM – (Building Information Modeling) – já obrigatório em alguns países -, completam estas diretrizes.

 

Felizmente temos experiências positivas de empresários e empreendedores que bravamente acreditam nesta direção e concorrem de forma desigual com a construção tradicional, sem a sensibilização e compreensão do Estado, que não oferece um sistema tributário favorável à industrialização e tampouco programas de fomento à inovação e à produtividade, motivando a cadeia de valor da indústria da construção nesta direção.

 

Em resumo, a baixa produtividade da construção é muito desconfortável, mas os caminhos para a solução são evidentes. Precisamos concentrar nossos esforços, as melhores cabeças e competências do setor para a geração de produtos inovadores, competitivos, eficientes, com menor consumo de recursos e excelência de qualidade, para nos colocarmos na vanguarda da indústria. Afinal, quem gosta de ser o “lanterninha”?

 

Sobre o autor: 

Paulo Oliveira é Diretor Executivo/CEO da Mutual Engenharia e Construções. Engenheiro Civil, com mais de 30 anos de experiência em indústrias multinacionais e nacionais de produtos para a construção e em serviços de engenharia, incorporação e construção. MBA Executivo Internacional pela FIA/USP. Project Manager Professional (PMP) pelo Project Management Institute (PMI). Professor do Curso de MBA Profissional do IPT e palestrante em congressos nacionais e internacionais.